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COSMOVISÃO TREMEMBÉ: RESGATANDO MITOLOGIA E DEUSES DA CULTURA TREMEMBÉ

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MITO E DEUSES ENTRE OS TREMEMBÉ Esta postagem não é uma reflexão antropológica sobre religião na cultura indígena Tremembé, nem é um resgate sobre a nossa cosmovisão e nem tem pretensão de representar a nossa visão mitológica das entidades que habitam o mundo. Na verdade, é uma exposição de uma espécie de arqueologia da narrativa Tremembé, contados nas "histórias de dormir". E se resgatar os personagens dessas histórias de dormir equivale a um resgate da mitologia, então esse post passa a ser um resgate da nosa mitologia. Quando nos remetemos as cosmovisão e a mitologia, temos uma via de mão dupla: a cosmovisão contemporânea da vida Tremembé[1] de um lado e a do outro perda mitológica do panteão das entidades míticas. Infelizmente, perdemos a nossa mitologia (referente aos mitos de criação), imergida e esvanecida nas dobras do tempo. Perdemos o contato com muitas das nossas entidades e seres fantásticos, salve os encantados que ainda resistem na cosmovisão dos rezadore...

TORÉM: A DANÇA RITUAL E O RITUAL DA DANÇA

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TORÉM: A DANÇA RITUAL E O RITUAL DA DANÇA Reflexão sobre a dança do Torém do Povo Tremenbé É deveras importante ressaltar para os “outros” a nossa cultura como sendo aquilo que sustenta o nosso ser e o nosso devir. Pensar em traços culturais é pensar no modo de ser, no modo de viver e cada elemento não nos representa tão somente, mas, integra o nosso próprio ser. É como se não fosse possível separar o eu a “outra coisa”. E é nesta dinâmica que eu abro espaço aqui para falar do Torém. O torém é parte integrante do ser Tremembé, por várias razões: ele é um elemento místico, é uma dança ritual, é música sagrada, é um material simbólico, é um agregador de elementos (maracá e o mocororó) e é agente socializador. Torém É difícil pensar no Torém apenas como uma simples dança, tipo folclórica ou regional. Não é apenas uma roda de pessoas cantando, ou um canto acompanhado da roda. O torém é a representação do nosso universo holístico. O próprio círculo que fazemos na danç...

Elucubrações HQ

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Anauê, xe iru guê! Hoje eu vou partilhar um pouco de um dos meus hobby, que é produzir tirinhas. Quando a mente está enfada da labuta do dia-a-dia, gosto de desenhar para desopilar a mente. Desse hobby surgiu uma série de tirinhas que chamei de Elucubrações. Iniciei a alguns anos uma série ligada ao contato ovnis. Então eu me perguntei? como seria esse contato e o que realmente os Et's querem de nós? Um traço simples e um tom cômico, inspirados nos traços e na ironia de três deuses das tirinhas: Fernando Gonsales (com Niquel Nausea), Laerte Coutinho (Piratas do Tietê) e Angeli (Os Skrotinhos), esses caras são simplesmente fantásticos!! Um dia eu hei de conhecer eles pessoalmente! Claro que existem outros cartunistas que merecem serem citado, que também são fantásticos, mas cito estes em particular porque foi com eles que aprendi a lê e que convive na minha adolescência! disk velho... Fernando Gonsales com sua fantástica tirinha de Niquel Nausea! Angeli criador dos Os ...

TRAÇOS CULTURAIS TREMEMBÉ: ÎANDÉ ÎASÏ AWÉ

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Traços culturais Tremembé: îandé Îasï awé (nós e a lua) Podemos considerar este texto como um contínuo da postagem anterior (ver postagem anterior Identidade Tremembe) e neste compartilho com todos um pouco da nossa cultura. Gostaria de partilhar a nossa relação com îasï (lua). Quando olhamos para as coisas que nos cercam podemos olhar dentro de duas perspectivas: um olhar penetrante e um olhar marginal . Penso nesse olhar penetrante como uma categoria êmica do viver Tremembé, ou seja, do ver como a gente vê, do sentir como a gente sente. Esse olhar penetrante só é possível pelos óculos da cultura que cada um possui, que cada um foi gerado. Quando eu olho para îasï o que eu vejo não é mesma lua que você vê. Entretanto, esse olhar que você vê também o compreendo, porque também meu olhar é um olhar marginal . Provavelmente, ao olhar para a lua você vê a lua, um corpo astronômico, orbitando a terra num continuo espaço infinito. Eu também vejo isso. Isso é o que chamo de olhar m...

Primeiro Tremembé Doutorando na Universidade Federal do Amazonas

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Obrigado a Todos pelo apoio e pelo carinho.

II Mostra de Ciência 2018

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Anauê xe iru guê! Hoje venho partilhar o evento da II Mostra de Ciências da escola Padre José Banner da II Mostra de Ciências  Como professor da rede básica e como sujeito inserido no contexto escolar, compreendemos, ao longo do nosso exercício de docência, que os desafios que encontramos aparentam intransponíveis. Apesar de lecionar na área de humanas (e linguagem), com aula de filosofia (inglês e Espanhol) acredito que o processo de ensino-aprendizagem deve passar pela interdisciplinariedade, dialogando as várias instâncias do conhecimento. Pensando nesta proposta é que, junto e com o apoio do Grêmio Estudantil Caminhos para o Amanhã é que iniciamos o projeto educacional que chamamos de Mostra de Ciências. A II Mostra de Ciências é um evento de cunho cientifico, mas também social e cultural. Realizamos na Escola Estadual de Tempo Integral Padre José Schneider no Município de Santa Isabel do Rio Negro, no interior do Estado do Amazonas, médio Rio Negro. A intenção do...

5 LENDAS REAIS DA AMAZÔNIA QUE POUCOS CONHECEM

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Anauê xé iru guê! Vou compartilhar nesta postagem 5 lendas (reais) do Estado do Amazonas que poucas pessoas conhecem. No imaginário popular e nas crenças hodiernas interiorana do estado do Amazonas, como bem entre os grupos indígenas, há relatos de seres que fazem parte do nosso patrimônio imaterial, que diversifica ainda mais o nosso mosaico cultural e que poucas pessoas conhecem. Quando nos remetemos as lendas e a “mitos” normalmente o que vem a nossa mente são aqueles seres “top”, ou seja, iara, curupira, boitatá, cobra-grande e etc. entretanto, no meu exercício antropológico conheci outros seres incríveis (aterrorizantes na verdade) que estão, sim estão literalmente, no dia-a-dia da população ribeirinha e indígena aqui do alto Rio Negro (médio Rio Negro). As descrições desta postagem foram coletadas in locus , bem como presenciada por mim em algumas circunstâncias da minha atividade etnográfica. Então, vamos lá. São elas (as lendas reais) que você provavelmente não c...