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NOVA POSTAGEM

Poromongûetá: 3º idioma indígena do Brasil a possuir um teclado especifico para celular!

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  Anaûé xe irũetá gûé!   TECLADOS INDÍGENAS: PRESERVANDO LÍNGUAS ANCESTRAIS NA ERA DIGITAL Hoje, quero falar sobre um tema que me toca profundamente: a preservação das línguas indígenas no Brasil através da tecnologia. Como antropólogo indígena da etnia Tremembé, vejo diariamente o quanto nossas línguas ancestrais são fundamentais para nossa identidade cultural. Através da língua nos comunicamos, escrevemos, transmitimos ideias e sentimentos. Vamos explorar duas iniciativas inspiradoras: o teclado Nheengatu, seguido do Kaingang desenvolvido pela Motorola , o primeiro teclado indígena do Brasil, e o projeto Poromongûetá , que eu estou desenvolvendo com meu primo. Ao final, discutirei o impacto desses teclados na retomada linguística do povo Tremembé.   O PIONEIRISMO DA MOTOROLA COM O TECLADO NHEENGATU Em 2021, a Motorola marcou história ao lançar o suporte para línguas indígenas em seus smartphones, tornando-se a primeira fabricante a oferecer um teclado comple...

OS TREMEMBÉ

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QUEM SOMOS NÓS, HOJE, OS TREMEMBÉ? Anaûé xe anamaetá gûé! Já faz um tempinho que não posto aqui no nosso espaço de reflexão chamado de xe mba’e, rsrs. Neste poste, venho colocar a minha visão indígena sobre os tremembé hoje. Quem são e onde estão? OS TREMEMBÉ Os tremembé são um povo que tem sua origem no litoral do nordeste, com presença mais forte e marcante no Ceará e no Maranhão. Entretanto, a presença tremembé se faz em vários estados do nordeste e fora dele, Piauí, onde há famílias em processo de autorreconhecimento étnico, no Pará, no Amazonas e até em São Paulo! Aos poucos muitos tremembé, espalhados em várias regiões do Brasil, estão aflorando e emergindo seu devir-tremembé para a superfície, mostrando a nossa presença em todos os cantos, fazendo dos nossos corpos a nossa própria territorialidade. Para compreender a situação do movimento de retomada das várias identidade tremembé, podemos definir as formas de coletivos que eu compreendo em três grupos: ·   ...

ARQUEOLOGIA DAS NARRATIVAS TREMEMBÉ II – A Princesa Encantada de Jericoacoara

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ARQUEOLOGIA DAS NARRATIVAS TREMEMBÉ II – A Princesa Encantada de Jericoacoara Anaûé xe iru gûé! Já começamos a partilhar em posts anteriores as nossas narrativas. Na primeira narrativa contei as histórias de  Îagûatïrïka Kaí awé (O Gato-do-Mato e o Macaco)[1] e sobre  O Mito do Mokororó e Cosmovisão Tremembé: Resgatando Mitologia E Deuses Da Cultura Tremembé [2]. No post de hoje vamos abordar mais uma narrativa as quais denomino de histórias de dormir , que de certa forma, plasma a nossa cosmovisão (costumes que infelizmente tende a se acabar, ou não). Na infância aprendi sobre muitas coisas a partir das narrativas de dormir, de lobisomem a iaras, de guajaras (kaagûara) a espíritos/encosto(Awasaí), de heróis a encantados. Na narrativa de hoje vou contar uma história que escutei dos meus avós lá em Jericoacoara, em tempo (não tão distante assim) que as histórias eram narradas sobre o manto da escuridão (não tinha eletricidade na época da minha meninice. A ener...

(Re)Descobrindo o Poromongûetá: Uma Nova Perspectiva Linguística Para O Povo Tremembé.

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 Anauê xe iru gûê! Voltei depois um ano sem postar...tempos difíceis.. muitas e doloridas perdas... Neste primeiro post de 2021 do nosso blog, venho tratar de um assunto que a tempo venho pincelando neste espaço de comunicação e interação: O Poromonguetá, a língua dos Tremembé. Na segunda semana de dezembro de 2019, eu participei da VI Reunião Equatorial de Antropologia, um evento de grande porte na área de antropologia, foi em Salvador, na Bahia. Foram momentos impactantes na minha vida, tanto no aspecto indígena, como na minha vida de antropólogo. Debates importantes e salutar sobre a etnologia produzida no Norte e, principalmente, do Nordeste. Conheci pessoalmente gente que considero importante na minha formação, pois li as suas produções antropológicas e tive a oportunidade de apertar a mão e trocar uma ideias, de partilhar um pouco sobre minha trajetória de vida e da construção da minha identidade indígena. Mas, de tantos momentos importantes, sem poder equiparar o peso, sen...

Canal de Divulgação da Cultura Tremembé

Anaué, xe iru gûé! Estou passando para divulgar um grupo no Facebook, Xe Anama Tremembé lá teremos circulação de videos, postagens e outros conteúdos sobre o povo Tremembé. acessem e participem. https://www.facebook.com/groups/450298478846537/ Um grande Abraço!

Livros: Mbo'esara Esãîã Tremembé

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ESTANTE VIRTUAL DO XE MBA'E Anauê xe iru gué! Estou pondo a venda alguns dos livros que escrevi. Os livros estão em formatos PDF, que podem ser lidos no celular, notebook, desktop, etc. SOMENTE NO FORMATO PDF   Não enviamos pelos Correios porque o frete sai mais caro do qu e o livro, mas é você que manda! Desde já agradeço a compra! IDÍLICO DA ALMA DE UM PROTO-POETA imagem meramente ilustrativa, ele é bem mais fininho do que o da imagem acima! O livro será enviado ao seu e-mail cadastrado no ato da compra e será liberado após verificação do pagamento. Informações sobre o livro Titulo : Idílico da Alma de Um Proto-Poeta. Gênero : Poesia Formato : PDF Paginas : 32 Autor : Mbo'esara Esãîã Ano : 2019 Envio : e-mail Resumo : O livro é uma pequena coletânea de poesias que fala sobre a ebriedade do amor, o sentimento de saudade e do valor da amizade. O ENIGMA DE LOHAN RIOS Imagem meramente ilustrativa O li...

ARQUEOLOGIA DAS NARRATIVAS TREMEMBÉ I

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Îagûatïrïka Kaí awé (O Gato-do-Mato e o Macaco) Como no post anterior em que narro O Mito do Mokororó e Cosmovisão Tremembé: Resgatando Mitologia E Deuses Da Cultura Tremembé , no post de hoje vamos abordar elementos que fazem parte da nossa forma de ver o mundo e as coisas que tem nele. Dentro daquilo que poderíamos denominar de ethos Tremembé, o modo de ser da gente. As histórias de dormir, de certa forma, plasma a nossa cosmovisão (costumes que infelizmente tende a se acabar). Na infância aprendi sobre muitas coisas a partir das narrativas de dormir, de lobisomem a iaras, de guajaras (kaagûara) a espíritos/encosto(Awasaí), de heróis a encantados. Conta os mais velhos que antigamente, o mundo era habitado apenas pelos animais. Eles se casavam, brincavam, dançava Torém, tomavam mokororó. Nesse tempo os animais falavam a mesma língua e todos se compreendiam, eles ainda falam, mas na sua própria língua, na língua das suas espécies. Kaí (o macaco) era amigo de îagûatïrï...